domingo, 12 de fevereiro de 2017






Na volta de Roma, em 2015, enquanto três voltaram de trem com escalas em Florença e Veneza, eu e mais uma do grupo voltamos de avião. Me assustei que o trem Veneza-Paris  leva umas 14 horas de viagem com cabines com três beliches superpostos e optei pelo mais fácil, esquecendo que poderíamos pegar um voo a partir de Veneza. Já até conhecia o aeroporto e não seria tão difícil. Entretanto, não vi em lugar algum uma forma melhor, mais confortável e mais barata de ir para aeroporto. De hora em hora, sai um ônibus, com ar condicionado e bagageiro enorme, do lado da Estação Termini. Por 4 euros, fomos maravilhosamente transportadas, sendo que na ida tínhamos pago 60 euros por um transfers. Como éramos cinco então, valeu. Valeu também pelo motorista que nos deu uma lição de história sobre cada lugar que íamos passando. Tudo isso num por do sol divino. Nos hospedamos por quatro dias num apartamento de dois quartos, suíte, dois banheiros, a uma quadra da Praça Navona. Pena que as fotos na Praça ficaram péssimas. 
Depois passamos por mais três dias para outro apartamento de dois quartos em frente da Estação Termini. Neste, só o banheiro era péssimo. O banho era impossível. Um fio de água fervendo. Terminei enchendo a pia de água fria que fui jogando pelo corpo com um pano. Uma asiática bonitinha nos recebeu, deu as instruções e não apareceu mais. No outro tinha sido igual, mas não sabíamos que podíamos deixar a chave na mesa e bater a porta e ficáramos esperando e esperando que aparecesse alguém, telefonando e telefonando em vão. Em Paris, eles são geralmente muito chatos nesse fechamento do aluguel, mas como lá sempre tem dinheiro a devolver, sempre esperamos.

                                                               Praça Navona e arredores








De Paris, enquanto os outros viajavam pela Itália, fomos a Bruxelas. Sempre adorei Bruxelas, Me parecia o lugar mais tranquilo do mundo e muito desejei ir morar lá. Nos hospedamos na esquina da Grand Place, num apartamentinho bem aconchegante. Uma africana bonita, com trajes coloridos, nos recebeu e marcamos o horário de saída. Na hora de ir embora, no entanto, nos atrasamos. Quando chegamos ao prédio, ela havia deixado um aspirador na porta para marcar que já estivera ali. Me preocupei, pois o pagamento fora com cartão de crédito e esse atraso me pareceu indício de que outra diária seria cobrada. O elevador era meio mambembe. Subi em todos os andares e chamei por ela. Silêncio. Pegamos a bagagem, fechamos a porta e fomos para a calçada. Tínhamos o número do telefone dela, mas não tínhamos telefone habilitado para ligações na Bélgica. Atravessei a rua e pedi a um comerciante para ligar que eu pagaria a ligação e ele disse: Não! Voltei desolada e falei para minha amiga que não tinha coragem de pedir a mais ninguém. Ao lado desse comércio já o rapaz nos havia auxiliado na chegada e eu não queria incomodá-lo de novo. Depois de muito esperar, resolvi perguntar na loja ao lado, uma casa grande mais chique, na qual eu tinha certeza que seria negado de novo. Qual surpresa! A moça pegou seu telefone, veio mais um rapaz auxiliar, ligaram, falaram, explicaram e quando perguntei quando devia, responderam com um sorriso que não era nada, c'est bien!  A africana apareceu sorridente, entregamos as chaves e ela disse que voltássemos sempre. Bem que eu gostaria, mas Bruxelas agora já não me parece o mesmo paraíso.

                                                                         Atomium                                                        


                                                                       Grand Place




                                                                      Mini-Europa





Bruxelas: chocolate, chocolate e mais chocolate. Loja de 1 euro na Anneessens, Mini-Europa, Grand Place e suas luzes ao anoitecer. Manneken piss, um boneco pequenininho numa esquina, que fica fazendo xixi todo o tempo. Uma lenda alimentando o turismo.


Fomos e voltamos de ônibus. Chegamos a Paris quase à meia-noite. O ônibus para num lugar escuro e deserto, sem táxis perto. Um casal, uma negra bonita e um rapaz louro, desceram e caminham na nossa frente. Pergunto pelo táxi. Ela nos diz que eles ficam lá-bas.  Uns duzentos metros para baixo mesmo e dobrando. O rapaz sai caminhando e deixa a moça nos fazendo companhia. Daí a minutos volta em um táxi e nos oferece o carro. Subimos e eles descem a rua para procurar outro para eles. Uma gentileza inesperada. Gestos que vão compensando e reforçando a fé na humanidade.


















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