terça-feira, 7 de fevereiro de 2017









Tem gente que passa três dias em Paris e diz conhecer Paris, passa dois dias em Londres e acha que conhece Londres. Para mim conhecer não é ver. Isso eu faço no google ou assistindo filmes e documentários. Conhecer é participar, se misturar no povo, palmilhar caminhos, ver, rever e rever, fazer muitas coisas e deixar outro tanto para a próxima.



Na primeira viagem a Londres permaneci três dias e me perdi três vezes. Ingleses são por demais amáveis e dão looooongaaas explicações para qualquer informação que se peça. Meu inglês dá para o gasto: pedir informações, compras básicas, acompanhar um diálogo simples. Mas andar na noite londrina era o mesmo que andar num labirinto. Pedia informações e era um tal de segue por aqui, dobra ali adiante, vai passar por uma casa assim, depois tem uma escola, ali tem uma praça, um beco, um bar, segue adiante que depois vai achar uma rua que... E eles continuavam falando, mas eu já me havia perdido na explicação e me perdia no caminho. Perguntava a outro e lá vinha o mesmo rosário. Nunca negaram informação. Mas nunca deixamos de andar em círculos. 
Numa noite fomos parar na estação East End e um rapazinho levantou do banco onde estava sentado e veio nos acompanhando um bom trecho, até nos deixar na rua de nosso hotel, embora bem longe ainda. Vimos uns policiais e íamos indagar pra eles se estávamos no rumo certo, mas saímos de fininho, entendendo que eles estavam cercando alguém. Naquele tempo, ainda sem armas. 
No segundo dia e terceiro dia pegamos um city tour. 

                                                  Fotos que fui tirando no City Tour.










No terceiro dia, andamos das nove da manhã às oito da noite e, de repente, o ônibus parou e o motorista disse que era o fim do tour. Ficamos apavoradas. Onde estávamos? Ele perguntou onde queríamos ir. Dissemos o nome do Royal National e o homem bateu com a mão na testa, desolado. Então nos mandou atravessar a praça ( Marble Arch) e do outro lado pegar o ônibus 8. 




 

Atravessamos, olhamos para a parada de ônibus, para a máquina de emissão de tickets sem saber o que fazer. Estávamos sem moedas. Hoje sei que o motorista recebe e troca o dinheiro. Nosso voo partia naquela madrugada. Minha amiga queria voltar rapidamente ao hotel para resgatar suas vinte libras (!) dadas como caução por um adaptador de tomada. Andamos uns vinte metros e me dei conta de onde estávamos: Oxford Street! Passara os três dias tentando encontrá-la. Comprara mapa e não conseguira achá-la, visto que saíamos para o lado contrário. Eis que, por um erro de não ter descido do ônibus perto do hotel, ela está ali. Não quis saber de nada, a não ser apreciar suas vitrines e ver as pessoas carregadas de sacolas. Fui andando e filmando, feliz da vida.






A razão para não achar as placas de rua e numeração, só descobri em casa, no google. Lá são colocadas na altura das janelas do segundo andar.







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