Aeroporto de Heathrow. Londres. Após três dias de caminhadas, exaustas, sem dormir, tendo o transfer nos pego às três horas no Royal National Hotel, chegamos no aeroporto e deparamos com fileiras de pessoas dormindo no piso, esperando a abertura do check-in. Despachamos nossa bagagem e fomos para a sala de embarque, com várias fileiras de poltronas azuis. Sentamos na primeira fileira e esperamos. De repente, digo para minha amiga: - Já não seria hora de embarcar? Olhamos em volta e não havia mais ninguém. Ela olha o painel, procura o voo e o portão de embarque.
Disparamos a correr. Por sorte, havia esteiras rolantes ligadas e corremos em cima das esteiras. Chegando quase ao portão, passa uma moça por nós em disparada. Dobramos num corredor com indicação do número do portão e chegamos ao nariz do avião. Voltamos, entramos no próximo corredor e chegamos à porta do avião. A comissária de bordo nos cumprimenta, entramos e a porta se fecha. Um voo que chegaria atrasado em duas horas a Lisboa, mas se fôssemos nós a perdê-lo, perderíamos toda a passagem de volta.
Veneza. A moça olha minha bagagem: uma bolsa de rodinhas, uma bolsa tiracolo e uma sacola com uma máscara veneziana com um largo chapéu, muito leve, mas espalhafatosamente grande.
- 37 euros - diz ela. Como? Sim, 37 euros ou tudo colocado em um só volume.
Peço minha passagem de volta.
Minha amiga tinha, além da mala de mão, apenas uma bolsinha minúscula de camurça e lhe foi cobrado o mesmo valor.
Há uns largos pilares nesta área. Percebi que pessoas passavam direto para as bandejas com valises estufadas, com fechos abertos de tão cheias. Vamos para trás dos pilares e, como éramos três, voltamos uma de cada vez para despachar a maleta. A moça pergunta: - E o resto da bagagem? Tudo aí dentro - respondo. Volto, pego minha bolsa e minha espalhafatosa e leve sacola e vamos para o embarque. Porém, todo esse processo nos roubou tempo e tivemos que correr.
Minhas amigas afoitas sobem uma escada. Um senhor sai de uma loja e começa a gesticular aflito. Entendo. Grito para elas que voltem. Ele nos indica um corredor e chegamos às bandejas. Rápido nos indicam a direção. Novamente piso no avião e a porta se fecha.
Lisboa. Chegamos em meio à tarde ao aeroporto. Uma antecipação de mais de três horas. Sentamos e ficamos conversando. Minha amiga diz que vai procurar o check-in. Parte com o carrinho com sua bagagem. Vamos atrás dela, mas nos perdemos. Lá pelas tantas, a vemos vindo em nossa direção.
- Vocês não vão acreditar - diz - nosso voo já saiu.
Procuramos o balcão da TAP e nos informam que só teriam lugares disponíveis para dois dias depois e teríamos que pagar 430 euros. Nos dão uma sugestão. Irmos de trem até Madri e lá pegarmos outro trem para Paris. Levaríamos dois dias, mas talvez fosse mais barato. Resolvemos pagar os 430 euros e voltar para nosso hotel em Lisboa. Se tivéssemos seguido a sugestão deles, teríamos perdido toda a nossa passagem a partir dali. Até hoje me espanto como funcionários de aeroporto não sabem desse cancelamento se alguma conexão for perdida.
O que é possível dizer sobre isso tudo? Que é preciso viajar com espírito aberto para o que der e vier. Planejar exaustivamente cada passo, mas suportar os imprevistos. Minhas amigas e eu dizemos quando algo dá errado: "Vai para o saco de recordações". E assim é. O planejamento seguro é ótimo, mas são os imprevistos que dão uma pitada a mais de sabor, um riso a mais ao recordar. Para isso é necessário que todo o grupo mantenha o mesmo espírito de viajante, de gosto pela descoberta, de aceitação das falhas. O que falhou? O excesso de bagagem, a perda do voo, os passeios programados que não foram feitos por terem sido trocados por outros que se revelaram uma desilusão, as pessoas irritadas e mal educadas nos aeroportos e outras coisinhas que ainda vou contar.





































