quinta-feira, 1 de junho de 2017







Estou numa fase de bonequinhas. Andei olhando umas repaint e adorei. Achei que era algo que gostaria de fazer. Pintar bonecas parece mais rápido e de fácil finalização do que pintar telas. Sempre gostei de fazer retratos e desenhar rostos. Achei alguns videos no You Tube mostrando pinturas de reborn com tinta a óleo e, sendo o que mais tenho aqui em casa, resolvi tentar. Fui garimpar algumas cabeças de Barbie que eu guardava esperando corpos sem cabeça para juntar e formar novas bonecas para doar. Então resolvi comprar uma boneca e transformá-la. Gostei. 





Comprei essa bonequinha no E-Bay. Paguei U$ 78.00 por ela nua e sem sapatos para descobrir depois que na Etsy tem a mesma boneca com belos vestidos e botinhas por preço menor. Mesmo assim, fiquei satisfeita, pois o cabelo na foto do site é opaco e desalinhado e quando ela chegou tive a surpresa de ver que tem um cabelo lindo e brilhante. Escolhi a boneca de olhos e cabelos castanhos e cortei um bom pedaço, pois é muito exagerado o comprimento. 
Então peguei minhas tintas e pincéis e comecei o trabalho. Usei preto, marrom, branco e magenta diretamente dos tubos, pois a quantidade é mínima. Deixei secar naturalmente e leva um bom tempo, mais ou menos uns quinze dias. Vi que se deve misturar uma pequena quantidade de secante de cobalto para apressar a secagem e também pode usar secador de cabelo. Após secar, alguns mandam passar verniz fosco para fixar. Não fiz nada disso. Também não vou ficar passando a mão na cara da boneca para testar se fixou ou não. Eis o resultado:








A bichinha estava ainda nua e era preciso providenciar roupa e sapatos. Em uma tarde consegui deixá-la vestida e calçada. Encontrei alguma coisa nos meus guardados, pois gente que costura e inventa tem sempre muitos guardados. É um pedaço de fita que amarrava o pacote de algum presente. É um pouco de renda. É o forro de uma bermuda que marido mandou tirar porque irritava a pele, mas era um tecido fino e lindo. É retalho bonito garimpado aqui e ali. No caso, encontrei dois pedaços de mangas que cortara de uma blusa e que, casualmente, fechou justinho na cintura da bonequinha. Achei uma blusa de um tecido brilhante. Um pé de meia deu um par e sobrou para outros arranjos. Um pedaço de tecido camurçado deu para fazer as botas. Não tinha nada para fazer a sola e ficou sem sola mesmo. Afinal, ela não vai caminhar no chão. Encontrei uns fuxicos que havia retirado de um chapéu e costurei-o com três pérolas em uma fita, das tais que amarravam pacotes de presentes.

 Fiz a roupa de baixo com o tal pedaço de forro retirado da bermuda. Achei muito bonito e macio. Tenho certeza de que ela não vai reclamar de irritação.



E tchan tchan tchan tchan! Eis como ficou com a roupa: saia de pedaço de manga, jaqueta brilhante em tecido que parece feito para boneca mesmo, meias de pedaço de um pé de meia e botinhas sem sola. Fiquei muito satisfeita e até gostaria de fazer algumas dezenas, centenas, mas penso que aí perderia a graça e se tornaria trabalho.








                                    Está bem! Concordo. Tem gente que não cresce nunca.







quinta-feira, 6 de abril de 2017


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Minha amiga canta. Onde vai sempre acha um microfone. Agora está cantando num navio no Caribe.
Em Paris, íamos para um barzinho de karaokê e ela catou quatro músicas da Alcione para cantar. Disse que se recusava a cantar qualquer uma da extensa lista de cinco páginas de pagode e sertanejo.
Isso foi em 2013. Em 2015, já nem as quatro músicas da Alcione estavam lá. Só pagode e sertanejo. Assim caminha a humanidade e a nossa música pelo mundo.


Numa esquina de Montmartre, havia três músicos cubanos tocando solitariamente. Sentamos a uma mesa e minha amiga já foi cantar. Em pouco estavam gravando um vídeo para colocar no youtube. Havia duas ou três pessoas numa mesa na calçada e nós dentro do bar. Saímos às três da madrugada para pegar o ônibus madrugadão para o centro onde ficava nosso apartamento alugado. Numa fonte em frente ao bar uma mulher de uns cinquenta anos entrou na água. Ela estava em um grupo. Acho que todos estavam bêbados. 


                                 Parecia uma cena de "A Doce Vida" de Fellini.



O ônibus veio lotado de homens com cara de trabalhadores cansados. Fomos de pé até a estação Gare de L'Est onde teríamos que esperar outro para o centro.Quando se aproximou da estação, a calçada tinha como uma coluna preta por uma meia quadra. Eram os fiscais todos vestidos de preto, com coletes à prova de balas e fuzis. Nosso ônibus parou, descemos e caminhamos para a outra calçada para a parada do ônibus seguinte. Os fiscais entraram assim que saímos e fecharam as portas, prendendo todos os homens lá. Perguntei a um rapaz, o florista que sempre está vendendo flores no Moulin Rouge e que eu já conhecia de vista, o que era feito com quem não apresentasse o ticket e não tivesse dinheiro da multa (50 euros) e ele disse que eram levados presos por uns 3 dias. Nosso ônibus veio e não sei se alguém foi preso, mas a operação toda é um estardalhaço. 

Andar de ônibus na madrugada em Paris é inesquecível. Naquele tempo ainda não havia medo. Só olhar as ruas desfilarem quietas e adormecidas na escuridão.

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domingo, 12 de fevereiro de 2017






Na volta de Roma, em 2015, enquanto três voltaram de trem com escalas em Florença e Veneza, eu e mais uma do grupo voltamos de avião. Me assustei que o trem Veneza-Paris  leva umas 14 horas de viagem com cabines com três beliches superpostos e optei pelo mais fácil, esquecendo que poderíamos pegar um voo a partir de Veneza. Já até conhecia o aeroporto e não seria tão difícil. Entretanto, não vi em lugar algum uma forma melhor, mais confortável e mais barata de ir para aeroporto. De hora em hora, sai um ônibus, com ar condicionado e bagageiro enorme, do lado da Estação Termini. Por 4 euros, fomos maravilhosamente transportadas, sendo que na ida tínhamos pago 60 euros por um transfers. Como éramos cinco então, valeu. Valeu também pelo motorista que nos deu uma lição de história sobre cada lugar que íamos passando. Tudo isso num por do sol divino. Nos hospedamos por quatro dias num apartamento de dois quartos, suíte, dois banheiros, a uma quadra da Praça Navona. Pena que as fotos na Praça ficaram péssimas. 
Depois passamos por mais três dias para outro apartamento de dois quartos em frente da Estação Termini. Neste, só o banheiro era péssimo. O banho era impossível. Um fio de água fervendo. Terminei enchendo a pia de água fria que fui jogando pelo corpo com um pano. Uma asiática bonitinha nos recebeu, deu as instruções e não apareceu mais. No outro tinha sido igual, mas não sabíamos que podíamos deixar a chave na mesa e bater a porta e ficáramos esperando e esperando que aparecesse alguém, telefonando e telefonando em vão. Em Paris, eles são geralmente muito chatos nesse fechamento do aluguel, mas como lá sempre tem dinheiro a devolver, sempre esperamos.

                                                               Praça Navona e arredores








De Paris, enquanto os outros viajavam pela Itália, fomos a Bruxelas. Sempre adorei Bruxelas, Me parecia o lugar mais tranquilo do mundo e muito desejei ir morar lá. Nos hospedamos na esquina da Grand Place, num apartamentinho bem aconchegante. Uma africana bonita, com trajes coloridos, nos recebeu e marcamos o horário de saída. Na hora de ir embora, no entanto, nos atrasamos. Quando chegamos ao prédio, ela havia deixado um aspirador na porta para marcar que já estivera ali. Me preocupei, pois o pagamento fora com cartão de crédito e esse atraso me pareceu indício de que outra diária seria cobrada. O elevador era meio mambembe. Subi em todos os andares e chamei por ela. Silêncio. Pegamos a bagagem, fechamos a porta e fomos para a calçada. Tínhamos o número do telefone dela, mas não tínhamos telefone habilitado para ligações na Bélgica. Atravessei a rua e pedi a um comerciante para ligar que eu pagaria a ligação e ele disse: Não! Voltei desolada e falei para minha amiga que não tinha coragem de pedir a mais ninguém. Ao lado desse comércio já o rapaz nos havia auxiliado na chegada e eu não queria incomodá-lo de novo. Depois de muito esperar, resolvi perguntar na loja ao lado, uma casa grande mais chique, na qual eu tinha certeza que seria negado de novo. Qual surpresa! A moça pegou seu telefone, veio mais um rapaz auxiliar, ligaram, falaram, explicaram e quando perguntei quando devia, responderam com um sorriso que não era nada, c'est bien!  A africana apareceu sorridente, entregamos as chaves e ela disse que voltássemos sempre. Bem que eu gostaria, mas Bruxelas agora já não me parece o mesmo paraíso.

                                                                         Atomium                                                        


                                                                       Grand Place




                                                                      Mini-Europa





Bruxelas: chocolate, chocolate e mais chocolate. Loja de 1 euro na Anneessens, Mini-Europa, Grand Place e suas luzes ao anoitecer. Manneken piss, um boneco pequenininho numa esquina, que fica fazendo xixi todo o tempo. Uma lenda alimentando o turismo.


Fomos e voltamos de ônibus. Chegamos a Paris quase à meia-noite. O ônibus para num lugar escuro e deserto, sem táxis perto. Um casal, uma negra bonita e um rapaz louro, desceram e caminham na nossa frente. Pergunto pelo táxi. Ela nos diz que eles ficam lá-bas.  Uns duzentos metros para baixo mesmo e dobrando. O rapaz sai caminhando e deixa a moça nos fazendo companhia. Daí a minutos volta em um táxi e nos oferece o carro. Subimos e eles descem a rua para procurar outro para eles. Uma gentileza inesperada. Gestos que vão compensando e reforçando a fé na humanidade.


















terça-feira, 7 de fevereiro de 2017









Tem gente que passa três dias em Paris e diz conhecer Paris, passa dois dias em Londres e acha que conhece Londres. Para mim conhecer não é ver. Isso eu faço no google ou assistindo filmes e documentários. Conhecer é participar, se misturar no povo, palmilhar caminhos, ver, rever e rever, fazer muitas coisas e deixar outro tanto para a próxima.



Na primeira viagem a Londres permaneci três dias e me perdi três vezes. Ingleses são por demais amáveis e dão looooongaaas explicações para qualquer informação que se peça. Meu inglês dá para o gasto: pedir informações, compras básicas, acompanhar um diálogo simples. Mas andar na noite londrina era o mesmo que andar num labirinto. Pedia informações e era um tal de segue por aqui, dobra ali adiante, vai passar por uma casa assim, depois tem uma escola, ali tem uma praça, um beco, um bar, segue adiante que depois vai achar uma rua que... E eles continuavam falando, mas eu já me havia perdido na explicação e me perdia no caminho. Perguntava a outro e lá vinha o mesmo rosário. Nunca negaram informação. Mas nunca deixamos de andar em círculos. 
Numa noite fomos parar na estação East End e um rapazinho levantou do banco onde estava sentado e veio nos acompanhando um bom trecho, até nos deixar na rua de nosso hotel, embora bem longe ainda. Vimos uns policiais e íamos indagar pra eles se estávamos no rumo certo, mas saímos de fininho, entendendo que eles estavam cercando alguém. Naquele tempo, ainda sem armas. 
No segundo dia e terceiro dia pegamos um city tour. 

                                                  Fotos que fui tirando no City Tour.










No terceiro dia, andamos das nove da manhã às oito da noite e, de repente, o ônibus parou e o motorista disse que era o fim do tour. Ficamos apavoradas. Onde estávamos? Ele perguntou onde queríamos ir. Dissemos o nome do Royal National e o homem bateu com a mão na testa, desolado. Então nos mandou atravessar a praça ( Marble Arch) e do outro lado pegar o ônibus 8. 




 

Atravessamos, olhamos para a parada de ônibus, para a máquina de emissão de tickets sem saber o que fazer. Estávamos sem moedas. Hoje sei que o motorista recebe e troca o dinheiro. Nosso voo partia naquela madrugada. Minha amiga queria voltar rapidamente ao hotel para resgatar suas vinte libras (!) dadas como caução por um adaptador de tomada. Andamos uns vinte metros e me dei conta de onde estávamos: Oxford Street! Passara os três dias tentando encontrá-la. Comprara mapa e não conseguira achá-la, visto que saíamos para o lado contrário. Eis que, por um erro de não ter descido do ônibus perto do hotel, ela está ali. Não quis saber de nada, a não ser apreciar suas vitrines e ver as pessoas carregadas de sacolas. Fui andando e filmando, feliz da vida.






A razão para não achar as placas de rua e numeração, só descobri em casa, no google. Lá são colocadas na altura das janelas do segundo andar.







sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017








14 de julho. Champs de Mars. Cair da tarde. Bancadas na frente dos bares e restaurantes nas ruazinhas que levam à torre com baguetes ensacadas e empilhadas à espera de uma multidão esfomeada. Eu sempre tive minhas restrições a essas baguetes largamente vendidas em Paris, ao ar livre, sem refrigeração, com recheios os mais variados. Uma vez, só uma vez, comprei uma com recheio de peixe. Levei dois dias comendo. Não morri e nem tive uma dor de barriga, mas... O campo lotado de jovens acocorados, deitados, amontoados no capim. Bancos ocupados cada um com grupo de seis pessoas. Não posso permanecer muito tempo em pé. Minhas amigas vem me buscar para um banco mais próximo, onde havia um casal numa ponta do banco e duas mulheres na outra, uma jovem e outra de uns quarenta anos. Sento e elas saem a caminhar. A mulher não para de falar contra o incômodo de eu estar ali. Eu quieta. Ela diz para a jovem que eu não estava entendendo nada mesmo. Diz que todos dizem que os franceses não são amáveis, pois não são mesmo. Me empurra. Põe a bunda quase no meu colo. Minhas amigas aparecem e dizem que uma delas vai ficar ali para que eu possa ir no banheiro. Recuso. Depois concordo e levanto. Minha amiga vai sentar, mas a mulher põe uma enorme bolsa preta no lugar. Me irrito com o desaforo e sento na frente da bolsa, na beira do banco. Ela começa a me socar as costas com força. Minha amiga diz que vai chamar a polícia. A mulher fala para a jovem: - Que chamem! A polícia não vai fazer nada mesmo. Eles só estão aqui para cuidar os bêbados. Minha amiga volta. A mulher ri: - Vê? Não tem polícia alguma. Minha amiga me chama e diz que conseguiu um lugar melhor perto de umas francesas amáveis, que até se apertaram para dar espaço para mim. Levanto e saio. Me viro para a mulher e lhe digo: - Vous êtes bien folle! Je vous désire seulement une douleur comme la mienne. Ela dá de ombros. Dor? Também tenho dor - diz. 
De longe, tiro uma foto da doida.

Se já não tivesse conhecido muita gente gentil e solidária em Paris, teria ficado com a impressão de que os franceses não são mesmo amáveis.
  
                                                    Mas o espetáculo valeu a pena.

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terça-feira, 31 de janeiro de 2017





Aeroporto de Heathrow. Londres. Após três dias de caminhadas, exaustas, sem dormir, tendo o transfer nos pego às três horas no Royal National Hotel, chegamos no aeroporto e deparamos com fileiras de pessoas dormindo no piso, esperando a abertura do check-in. Despachamos nossa bagagem e fomos para a sala de embarque, com várias fileiras de poltronas azuis. Sentamos na primeira fileira e esperamos. De repente, digo para minha amiga: - Já não seria hora de embarcar? Olhamos em volta e não havia mais ninguém. Ela olha o painel, procura o voo e o portão de embarque.
Disparamos a correr. Por sorte, havia esteiras rolantes ligadas e corremos em cima das esteiras. Chegando quase ao portão, passa uma moça por nós em disparada. Dobramos num corredor com indicação do número do portão e chegamos ao nariz do avião. Voltamos, entramos no próximo corredor e chegamos à porta do avião. A comissária de bordo nos cumprimenta, entramos e a porta se fecha. Um voo que chegaria atrasado em duas horas a Lisboa, mas se fôssemos nós a perdê-lo, perderíamos toda a passagem de volta.

Veneza. A moça olha minha bagagem: uma bolsa de rodinhas, uma bolsa tiracolo e uma sacola com uma máscara veneziana com um largo chapéu, muito leve, mas espalhafatosamente grande. 
- 37 euros - diz ela. Como? Sim, 37 euros ou tudo colocado em um só volume. 
Peço minha passagem de volta.
Minha amiga tinha, além da mala de mão, apenas uma bolsinha minúscula de camurça e lhe foi cobrado o mesmo valor.
Há uns largos pilares nesta área. Percebi que pessoas passavam direto para as bandejas com valises estufadas, com fechos abertos de tão cheias. Vamos para trás dos pilares e, como éramos três, voltamos uma de cada vez para despachar a maleta. A moça pergunta: - E o resto da bagagem? Tudo aí dentro - respondo. Volto, pego minha bolsa e minha espalhafatosa e leve sacola e vamos para o embarque. Porém, todo esse processo nos roubou tempo e tivemos que correr. 
Minhas amigas afoitas sobem uma escada. Um senhor sai de uma loja e começa a gesticular aflito. Entendo. Grito para elas que voltem. Ele nos indica um corredor e chegamos às bandejas. Rápido nos indicam a direção. Novamente piso no avião e a porta se fecha. 
      
               Minha máscara veneziana repousa linda e salva na parede do meu quarto de costura.



Lisboa. Chegamos em meio à tarde ao aeroporto. Uma antecipação de mais de três horas. Sentamos e ficamos conversando. Minha amiga diz que vai procurar o check-in. Parte com o carrinho com sua bagagem. Vamos atrás dela, mas nos perdemos. Lá pelas tantas, a vemos vindo em nossa direção.
- Vocês não vão acreditar - diz - nosso voo já saiu.
Procuramos o balcão da TAP e nos informam que só teriam lugares disponíveis para dois dias depois e teríamos que pagar 430 euros. Nos dão uma sugestão. Irmos de trem até Madri e lá pegarmos outro trem para Paris. Levaríamos dois dias, mas talvez fosse mais barato. Resolvemos pagar os 430 euros e voltar para nosso hotel em Lisboa. Se tivéssemos seguido a sugestão deles, teríamos perdido toda a nossa passagem a partir dali. Até hoje me espanto como funcionários de aeroporto não sabem desse cancelamento se alguma conexão for perdida.



O que é possível dizer sobre isso tudo? Que é preciso viajar com espírito aberto para o que der e vier. Planejar exaustivamente cada passo, mas suportar os imprevistos. Minhas amigas e eu dizemos quando algo dá errado: "Vai para o saco de recordações". E assim é. O planejamento seguro é ótimo, mas são os imprevistos que dão uma pitada a mais de sabor, um riso a mais ao recordar. Para isso é necessário que todo o grupo mantenha o mesmo espírito de viajante, de gosto pela descoberta, de aceitação das falhas. O que falhou? O excesso de bagagem, a perda do voo, os passeios programados que não foram feitos por terem sido trocados por outros que se revelaram uma desilusão, as pessoas irritadas e mal educadas nos aeroportos e outras coisinhas que ainda vou contar.









domingo, 22 de janeiro de 2017





Londres. Royal National Hotel. Pior café de todos os que tomei em hotéis. Um local horrível e lotado, leite frio, café frio, fatias de pão branco, tabletes de geleia ou margarina. Se quisesse mais, teria que pagar £ 4.50. Os americanos se lambuzavam de bacon e ovos fritos. Pegávamos nossos tabletes de margarina e geleia e íamos tomar café no quarto, onde tinha uma jarra elétrica. Depois descíamos para o mercadinho 24 horas ao lado do hotel e comprávamos três grandes e deliciosos croissants por £ 1,00.

Chile, Santiago. Hotel central, quase na esquina do calçadão. Uma escadaria de mármore. Em todos os andares, um vitral arredondado e da dimensão da parede acompanhava a escada, diferente em cada andar. Deixei o elevador e subi pelas escadas até o último andar só para apreciar os vitrais. Valeu a pena.
No café, uma mulher, talvez proprietária, se colocava ao lado da mesa com as jarras de leite e café e perguntava, com um frasco de adoçante na mão:  Quantas gotas? Só tinha bolinhos e pães doces e eu não como doce no café da manhã.

Buenos Aires. Hotel Esmeralda. Desço para o café e peço para deixar minha bolsa na mesa de duas companheiras de viagem, enquanto sirvo o café e os doces, sempre os doces.Minha bolsa é enorme, com todos os itens e lanchinhos para o passeio que íamos fazer. Estamos em excursão. Tem que ser tudo rápido. Volto para a mesa, tomo um gole de café e a pessoa com quem havia deixado meus pertences, solta um grito: - Minha bolsa! Minha bolsa! Levaram minha bolsa! Ela carregava uma bolsinha minúscula. A minha tinha ficado por ser enorme. Havia duas mulheres ao fundo que já não estavam. Na portaria do hotel, souberam que nem eram hóspedes. Ao menos não tinham levado todo o dinheiro, pois uma parte ficara no quarto. Mas os documentos, estes se foram. E ela ainda teve que pagar propina na aduana para poder sair do país.

Buenos Aires. Hotel Conde, a uma quadra do Obelisco. Na véspera, tínhamos ido a boate Saara e retornamos às quatro da madrugada. Ficamos num local escuro e lotado, vendo um baiano de sunga se contorcer numa espécie de ringue no centro do salão e cantar axé. Na capital do tango! Minha amiga foi dançar. Eu me empoleirei num balcão ao lado de umas brasileiras que me deram uns goles de Daikiri Tropical. Muito gostoso. Cedo tivemos que colocar as malas no ônibus e voltamos a dormir. Desço para o café. Minha amiga fica se arrumando. Salão grande,na esquina, grandes janelas. A primeira vez na viagem que vejo frutas no café da manhã. Pego duas frutas, sento e como-as. Levanto-me e viro em direção à mesa para buscar café e pão, bolo, croissant, queijo, presunto e...o quê? Estava absolutamente vazio. Nada. Nadinha. Pergunto para a moça. Ela me mostra o relógio. Dez horas. Recolhiam às dez em ponto.
- Posso lhe arrumar uma xícara de café - disse.
Minha amiga chega. Peço que arrume uma xícara para ela também. Um café preto. Mais nada.
Eis que aprendi a colocar todos os pratinhos na mesa antes de iniciar o café.

MacDonald Hotel. Londres. A uma quadra da Saint Pancras Station. Hotelzinho pequeno, familiar, barato, escolhido para ir caminhando com a malinha de mão. Londres com malas nunca mais. Ficamos no único quarto no subsolo e o banheiro no corredor era só nosso. No quarto, jarra térmica, chás, pacotinhos de bolacha, açúcar, adoçante. Um lance de quatro degraus para o café da manhã numa salinha de uns quatro metros por quatro. Café com leite, pão, geleia, manteiga, queijo, presunto, bacon. A salinha de entrada é feia, mas os proprietários são de um calor humano que a gente esquece. Tentei reservar de outra vez esse hotelzinho, mas estava lotado. 

Sphink Hotel. Amsterdam. Um susto. Reservei e depois fui ler as avaliações. As piores possíveis. Na verdade, os lençóis eram branquíssimos, assim como as fronhas e os edredons. Os proprietários eram chineses. Era um hostel. Tínhamos que preparar nossos cafés num canto meio obscuro do saguão. As escadas pareciam terem sido construídas num túnel estreito, completamente retas. Jogava minha bolsa para as costas e ia me alçando segura nos dois corrimões. Na descida, era segurar e deslizar quatro andares até o térreo. Levamos um dia andando para achar o Sphink para constatar que o metrô que passava a todo instante na Centraal Station fazia a volta na esquina do hotel.
Na véspera do retorno, comprei uns pãezinhos num mercadinho de produtos naturais caríssimos. Vieram num saco de papel e guardei-os na sacola,  no espaço entre as camas e a janela. Na metade da viagem, peguei o suco e me preparei para saborear o lanche, meto a mão na sacola, pego o saquinho de papel e - susto - o saco e o pão tinham sido roídos por rato.Ainda bem que o bicho tinha conseguido sair! Chegamos a Paris às onze da noite...com fome. 
                                          
                                                                Janela do quarto

                                                                         Escadas



sexta-feira, 13 de janeiro de 2017





Segunda entrada na Europa. Aeroporto de Lisboa. Saímos do avião, seguimos caminhando, recolhemos as bagagens, fomos andando e, de repente, me dei conta: - E as bandejas? 
Nada. Nem bandejas, nem gritos, nem caras feias. Deslizamos para a saída e para o sol. 

Nunca mais, até 2015, houve sufoco em entradas ou saídas na Europa. Era como se estivéssemos entrando em um shopping na minha cidade. 

Da primeira vez, no entanto, foi tudo terrível. Se eu não tivesse voltado, ficaria para sempre com uma péssima impressão daquele povo. E agora como será, quando nosso país mergulha de novo no caos?

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Quando cheguei ao balcão da TAP, disse que não queria aquele voo que nos foi dado e, sim, o que havia adquirido, que era direto para Porto Alegre. A moça disse que só tinha o mesmo voo na sexta-feira e era recém segunda, mas que as despesas nos dias restantes teriam que ser por nossa conta. 

Não conhecer a cidade é um problema. Tinha ficado três dias em Lisboa na ida, mas nada sabia e me assustei um pouco com a ideia de bancar quatro dias mais. Minha amiga estava aborrecida desde a véspera porque havia prometido ao diretor da escola que voltaria naquela data. Minha família me disse ao telefone que eu ficasse e aproveitasse, já que estava lá e havia essa possibilidade. 

Passei no balcão e disse para a funcionária que guardasse as passagens que eu iria entrar na fila desta vez. Descemos, procuramos no balcão de turismo uma pensão mais em conta, pois o hotel em que estivemos hospedadas ao chegar era caríssimo, cinco estrelas. 

Voltamos para a fila e aí entrou a turma do deixa-disso. Começaram a dizer: - Ah, mas vocês deveriam ir hoje, porque já estariam no Brasil  (não sei qual era a vantagem). Minha amiga, que já não estava com vontade de ficar, desistiu de vez e fomos embora recolher nossa bagagem no hotel. Péssima decisão. 

O almoço da TAP à escolha, até vinte euros. Comi bacalhau com nata, sobremesa e peguei uma latinha de refri, que levei metade para minha amiga, que ficara no portão de embarque cuidando nossa bagagem de mão. Na vez dela almoçar, ela foi sozinha, é claro. Aborrecida, o que fez? Pegou três pequenos bolinhos de bacalhau e mais nada. O rapaz insistiu que ela pegasse mais alguma coisa, mas não adiantou. E lá deixou uns quinze euros pra TAP. Poderia ao menos ter pego seis bolinhos e me dado três. Ora, pois, pois...

No voo, ainda dei azar. O cardápio era bacalhau ou cordeiro estufado. Escolhi bacalhau. Serviram o lado de minha amiga e ela pegou bacalhau. Quando chegou do meu lado, o bacalhau tinha terminado e eu tive que ficar com o tal cordeiro estufado, que até hoje não sei bem o que é.

 Voo chatíssimo. Todas as janelinhas abertas e o sol atravessando de um lado a outro. Seis horas intermináveis. Vi três filmes. Lá pelas tantas não conseguia respirar. Fui ficando aflita. Não chegava nunca. Nos colocaram nos últimos assentos com um barulho de motor que incomodava. E tudo incomodava. Chegamos às sete horas e teríamos que esperar o voo para São Paulo até às três da madrugada. Fome. Fui comprar uma torrada e o rapaz avisou: - É muito cara! Será que eu já estava tão desmontada, que parecia não ter dinheiro para uma torrada?

Como se isso fosse pouco, ainda tivemos que pegar nossas malas e passar pela revista. Uma fila enorme. Uma mulher vomitando. O marido gritando que sua mulher passava mal e ninguém se importava, tinham que ficar na fila. Eu lembrei que tinha um croissant na bolsa e fiquei com medo. Depois de ser tratada como criminosa na chegada a Lisboa, temia ser encarcerada por um croissant.
Vi um banheiro ao lado da fila, entrei lá ligeiro e larguei o pacote. 

Quando chegou nossa vez, mandaram abrir a mala vermelha. O cadeado emperrou. O fiscal, um homem grande e moreno, mas infinitamente gentil, perguntou se podia tentar abrir. Dei-lhe a chave e ele conseguiu. Eu olhei e exclamei: - Minha roupa suja! Foi a deixa para que ele não mexesse em nada. Fechou a mala e nós já íamos saindo, quando um outro começou a gritar que tinha lata na mala que minha amiga passava para mim. Eu dizia que não, mas eles insistiam. Pediu a chave e eu alcancei. Ele perguntou, desconfiado: - A mala é de sua amiga e você é que tem a chave? 
Abri, ele olhou. Só roupas. Nesse momento, na mala da mulher que vinha depois, eles retiraram uma enfiada de queijinhos. Voltaram-se todos para a criminosa e nós fomos deixadas em paz. 
Em casa, ao retirar as roupas, descobri que o que acusava ser uma lata, era a corrente que havíamos levado para acorrentar as malas na viagem de trem Paris-Londres e que se encontrava no fundo de um bolso interno e nem havia sido usada.

Depois de todas essas, dormia profundamente no voo para São Paulo e sou acordada por uma japonesinha irritada, indagando: - Suco ou água? 
E eu: - Café!

Não. Não tinha café. Me deu um suco horrível e um pacotinho de bolachas que colavam nos dentes e não pude comer. 

Eu só queria dormir.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017






Quando entrei na Europa pela primeira vez, em Lisboa, repetiu-se o que sempre era narrado por outros brasileiros. Estupidez, dificuldades, gritos. Fiquei com a impressão de que isso era praxe e que sempre seria assim. 
Extraordinariamente, quando voltei nas outras vezes, em governos de PT, pouco faltou para que nos estendessem tapete vermelho. Foi algo muito e muito visível essa diferença no tratamento. O Brasil estava bem. A Espanha, de onde eram escandalosamente repatriados brasileiros de forma sistemática, essa Espanha estava pedindo ao governo brasileiro que acolhesse os espanhóis que aqui procurassem trabalho. Pena que todos os brasileiros não tenham essa possibilidade de comparação e tenham ajudado a trocar o governo por uma máfia.

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Lisboa, chegada. Passagem de bolsa e malas de mão pelas bandejas. Um funcionário grita, enfia a mão na minha bolsa, escarafuncha, berra: - Onde está o porta-dólares? 
Abro o casaco para tirar a bolsinha que trazia presa ao ombro. Ele berra impaciente - Não sei por que carregam isso! - reclamando por eu trazer o dinheiro junto ao corpo.
Depois de ter sonhado e planejado por décadas a viagem, engoli os desaforos, que eram só uma amostra do que ainda veria.
No retorno, nosso avião não pode aterrissar por causa da cerração e ficou sobrevoando até ser obrigado a ir a Faro abastecer e voltar. Com isso, chegamos com duas horas de atraso.
Desembarcamos e passamos novamente pelas esteiras. Tira casaco, abre bolsa, expõe líquidos, deposita na bandeja brincos, relógios, moedas. Algumas mulheres e crianças calçavam botas e tiveram que tirá-las e enfiar os pés em sacos plásticos. Isso superado, deitamos a correr até o portão de embarque para chegar lá e vê-lo fechado. Uma quantidade de pessoas desorientadas  ficou se olhando sem saber o que fazer. Um dos brasileiros voltou ao início daquele caminho e depois reapareceu com a notícia de que alguém da TAP queria nos comunicar algo. 
Refizemos a caminhada, até que um do grupo disse: - Esperem! Se um homem quer falar com o grupo, não é mais lógico que ele venha até aqui do que fazer todo esse pessoal ir até lá?
Que nada! Nós é que éramos uns pobres cucarachas e tínhamos mais é que nos ajoelharmos diante dos todos poderosos europeus.
Para chegarmos até o homem que queria nos dizer algo, tivemos que passar pelas bandejas novamente com todo seu ritual, já nessa altura, humilhante. Ora, se havíamos passado por isso em Londres, se passamos novamente nesse aeroporto de Lisboa ao chegar, o que de tão irregular teríamos adquirido dentro do aeroporto para sermos revistados novamente, expor o conteúdo das bolsas nas bandejas e mulheres e crianças tirarem as botas e colocarem sacos plásticos nos pés para serem admitidas na "saída"? 
Tivemos que nos enfileirar e apresentar passaportes nos guichês e fomos recebidos com uma observação sarcásticas: - Ah! É o grupo que perdeu o voo! - disse a mulher com maus modos. Foi a segunda funcionária na mesma manhã a nos tratar mal. Na saída de Londres, ao perguntar para uma delas para onde deveríamos nos dirigir, ela sacudiu os ombros, expressando o que eu já entendia por "Cucarachas, virem-se!" 
O homenzinho nos recebeu num corredor. Alguém começou a filmar e ele berrou: - Podem filmar à vontade! Não tenho medo!
Outros começaram a jogar malas no chão.
Ele disse: - O que tenho para oferecer a vocês é um hotel. Depois um funcionário vai procurá-los com uma solução. Quem quiser ir, que vá; quem não quiser, que fique. 
Fui, é claro.Mas alguns ficaram.
Fomos levados a um hotel Marriott. Escadas de mármore, veludos e pianos, várias salas para refeições, comida ótima, vinho à vontade. Mas não tinha internet. Só pagando. No jantar, já não tinha mais direito a vinho.

                                                                  Hotel Marriott 





                                                    Ficamos num quarto igual a este.




















Só que esse hotel ficava perto do aeroporto e no meio do nada. Quando consegui convencer minha amiga a sair, o taxista nos disse que não havia onde ir num domingo à noite. Agora eu sei o quanto a cidade é cheia de vida nos domingos à noite. Eu já tinha lido sobre isso, mas não me animei a contestar um taxista e fomos dormir. Depois fiquei sabendo que estávamos a dois passos do Shopping Colombo, que só fui conheceer na terceira vez que estive em Lisboa.


Nos deram cartão para um telefonema para o Brasil.
À noite, um funcionário apareceu com uma folha de caderno com uns rabiscos e foi chamando para revelar o destino. Alguns já haviam comentado que eles iam começar a enfiar uns aqui, outros ali, em voos pingados.
Dois rapazes que vinham da Alemanha, voltaram sorridentes:- Vamos amanhã direto para Porto Alegre.
Ficamos esperançadas, eu e minha amiga, mas qual! A nós o sujeito disse que estaríamos num voo para Natal na tarde do dia seguinte.
Passei a noite cismando que eles nos mandavam para Natal e de lá nós teríamos que nos virar. Com isso, madruguei, acordei minha amiga e fomos para o aeroporto depois do café, este horrível, numa sala com enormes mesas com tampos de mármore e cadeiras estofadas de veludo vermelho. Tudo doce e não como doce no café da manhã.




 Aeroporto. Uma fila para o balcão de atendimento da TAP. Uma longa espera.
Quando chegamos ao balcão, a portuguesa disse: - Vocês não sabem seu destino, mas nós sabemos.
Nos entregou a passagem e disse que teríamos que deixar o hotel ao meio dia.
Nos afastamos e me lembrei que o almoço era servido ao meio dia e meia. Voltei e pedi a ela o cartão para almoço no aeroporto. Entreguei minha passagem e ela disse que teria que ter a de minha amiga também.
Parti atrás dela, que já estava um lance abaixo, em direção à saída. Peguei a passagem e voltei, entrando direto para o balcão.
Da fila, um casal de -supostamente - alemães, começou a gritar: -Here! Here!
Apontavam para a fila.
Eu gritei: - Não! Já estive aí por horas. Já fui atendida e não vou voltar. Tenho direito a ficar aqui.
Fiquei repetindo um pouco em português, um pouco em inglês.
Eles gritavam, eu gritava, o pessoal da fila, todos brasileiros, gritavam: - Fica! Fica!
Eu fiquei. Eles chamaram um segurança, um sujeito enorme. Ele parou a meu lado sem entender o que estava acontecendo.
Nesse momento, uma loura alta entra também pelo lado oposto à fila e chega no balcão. Ela estava muito irritada e há dias com um problema de bagagem. O homem me deixou ali e foi argumentar com a loura que não era possível chegar ao atendimento daquele jeito.
Eis que a pessoa que estava sendo atendida, se afasta. Seria minha vez. Seria. O casal sai da fila e se posta um de cada lado da minha pessoa pequenininha e começa a me apertar para me impedir de avançar.
A atendente e eles começam a falar em inglês de uma forma alterada, que nem tentei entender e eis que ela lhes permite me empurrarem e passarem na minha frente e os atende.
Nunca vou esquecer daqueles dois, grandes, louros, estúpidos e idosos, numa idade em que já deveriam ter aprendido a ter educação.
A funcionária deveria ter-lhes dito que já estava me atendendo, mas foi conivente com a maldade deles.
Valeu a torcida dos brasileiros.
E, afinal, o almoço também valeu.

Antes de sair, um funcionário adverte:- Venham cedo, pois terão mais de vinte minutos de caminhada até o portão.
Na véspera ninguém teve dó dessa caminhada.