domingo, 22 de janeiro de 2017





Londres. Royal National Hotel. Pior café de todos os que tomei em hotéis. Um local horrível e lotado, leite frio, café frio, fatias de pão branco, tabletes de geleia ou margarina. Se quisesse mais, teria que pagar £ 4.50. Os americanos se lambuzavam de bacon e ovos fritos. Pegávamos nossos tabletes de margarina e geleia e íamos tomar café no quarto, onde tinha uma jarra elétrica. Depois descíamos para o mercadinho 24 horas ao lado do hotel e comprávamos três grandes e deliciosos croissants por £ 1,00.

Chile, Santiago. Hotel central, quase na esquina do calçadão. Uma escadaria de mármore. Em todos os andares, um vitral arredondado e da dimensão da parede acompanhava a escada, diferente em cada andar. Deixei o elevador e subi pelas escadas até o último andar só para apreciar os vitrais. Valeu a pena.
No café, uma mulher, talvez proprietária, se colocava ao lado da mesa com as jarras de leite e café e perguntava, com um frasco de adoçante na mão:  Quantas gotas? Só tinha bolinhos e pães doces e eu não como doce no café da manhã.

Buenos Aires. Hotel Esmeralda. Desço para o café e peço para deixar minha bolsa na mesa de duas companheiras de viagem, enquanto sirvo o café e os doces, sempre os doces.Minha bolsa é enorme, com todos os itens e lanchinhos para o passeio que íamos fazer. Estamos em excursão. Tem que ser tudo rápido. Volto para a mesa, tomo um gole de café e a pessoa com quem havia deixado meus pertences, solta um grito: - Minha bolsa! Minha bolsa! Levaram minha bolsa! Ela carregava uma bolsinha minúscula. A minha tinha ficado por ser enorme. Havia duas mulheres ao fundo que já não estavam. Na portaria do hotel, souberam que nem eram hóspedes. Ao menos não tinham levado todo o dinheiro, pois uma parte ficara no quarto. Mas os documentos, estes se foram. E ela ainda teve que pagar propina na aduana para poder sair do país.

Buenos Aires. Hotel Conde, a uma quadra do Obelisco. Na véspera, tínhamos ido a boate Saara e retornamos às quatro da madrugada. Ficamos num local escuro e lotado, vendo um baiano de sunga se contorcer numa espécie de ringue no centro do salão e cantar axé. Na capital do tango! Minha amiga foi dançar. Eu me empoleirei num balcão ao lado de umas brasileiras que me deram uns goles de Daikiri Tropical. Muito gostoso. Cedo tivemos que colocar as malas no ônibus e voltamos a dormir. Desço para o café. Minha amiga fica se arrumando. Salão grande,na esquina, grandes janelas. A primeira vez na viagem que vejo frutas no café da manhã. Pego duas frutas, sento e como-as. Levanto-me e viro em direção à mesa para buscar café e pão, bolo, croissant, queijo, presunto e...o quê? Estava absolutamente vazio. Nada. Nadinha. Pergunto para a moça. Ela me mostra o relógio. Dez horas. Recolhiam às dez em ponto.
- Posso lhe arrumar uma xícara de café - disse.
Minha amiga chega. Peço que arrume uma xícara para ela também. Um café preto. Mais nada.
Eis que aprendi a colocar todos os pratinhos na mesa antes de iniciar o café.

MacDonald Hotel. Londres. A uma quadra da Saint Pancras Station. Hotelzinho pequeno, familiar, barato, escolhido para ir caminhando com a malinha de mão. Londres com malas nunca mais. Ficamos no único quarto no subsolo e o banheiro no corredor era só nosso. No quarto, jarra térmica, chás, pacotinhos de bolacha, açúcar, adoçante. Um lance de quatro degraus para o café da manhã numa salinha de uns quatro metros por quatro. Café com leite, pão, geleia, manteiga, queijo, presunto, bacon. A salinha de entrada é feia, mas os proprietários são de um calor humano que a gente esquece. Tentei reservar de outra vez esse hotelzinho, mas estava lotado. 

Sphink Hotel. Amsterdam. Um susto. Reservei e depois fui ler as avaliações. As piores possíveis. Na verdade, os lençóis eram branquíssimos, assim como as fronhas e os edredons. Os proprietários eram chineses. Era um hostel. Tínhamos que preparar nossos cafés num canto meio obscuro do saguão. As escadas pareciam terem sido construídas num túnel estreito, completamente retas. Jogava minha bolsa para as costas e ia me alçando segura nos dois corrimões. Na descida, era segurar e deslizar quatro andares até o térreo. Levamos um dia andando para achar o Sphink para constatar que o metrô que passava a todo instante na Centraal Station fazia a volta na esquina do hotel.
Na véspera do retorno, comprei uns pãezinhos num mercadinho de produtos naturais caríssimos. Vieram num saco de papel e guardei-os na sacola,  no espaço entre as camas e a janela. Na metade da viagem, peguei o suco e me preparei para saborear o lanche, meto a mão na sacola, pego o saquinho de papel e - susto - o saco e o pão tinham sido roídos por rato.Ainda bem que o bicho tinha conseguido sair! Chegamos a Paris às onze da noite...com fome. 
                                          
                                                                Janela do quarto

                                                                         Escadas



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