Achados e perdidos
Se vai pela vida perdendo coisas, mais do que achando.
Minha mãe tinha um broche de marcassita. Um ramalhete, pelo qual ela passou um bom tempo pagando numa época em que nem havia crediário. Era lindo e tinha um brilho maravilhoso. Cinco florzinhas presas por um laço. Lá pelas tantas o ramalhete perdeu um pedacinho de uma haste.
Quando minha mãe morreu, resolvi limpar o broche há muito guardado numa caixinha.
Ó burrice suprema!
Mergulhei o broche na clorofina. Quando fui olhar como tinha ficado, deparei com um pedaço preto retorcido e perdido irremediavelmente. Parecia ferro e não mais marcassita.
Cheia de remorsos, fiquei por anos e anos procurando outro broche semelhante para por no lugar.
Parecia que o espírito de minha mãe ia chegar e verificar o que eu tinha feito.
E que contas eu iria prestar a ela quando nos reencontrássemos no além?
Ainda não sei e nem tenho pressa de saber. Mas minha busca nunca resultou em nada, pois acho que aquele ramalhete era único.
O que achei mais próximo no google foi isso. Nem perto do que era aquele. Talvez se imaginar a florzinha abaixo multiplicada por cinco e os cinco galhinhos amarrados com um laço, fique mais ou menos semelhante.
Imagine a haste deste outro multiplicada por cinco e ponha cinco florzinhas na ponta, uma na ponta de cada haste e as folhinhas como a da foto abaixo, tudo amarrado com um laço. Pronto! Aí está na sua imaginação o broche de minha mãe.
Em todo caso, comprei em Lisboa, na Feira da Ladra, um broche de marcassita por 20 euros.
Em Paris, no Marché aux Puces, um do mesmo tipo e tamanho do que comprei estava por 800 euros.
Qual seria o valor do broche que detonei na clorofina?



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