Uma noite sonhei que, na madrugada, eu estava nessa esquina em que fiquei enfrentando o boi num duelo de olhares. Não havia touro, boi, vaca ou cavalo. Era eu sentada sozinha no silêncio e na escuridão. O sonho foi tão nítido, tão profundamente sentido, tão marcante que nunca mais a lembrança e a sensação se apagou.Acredito que meu espírito se desprendeu do corpo e foi lá. no lugar que me dava medo, para onde olhava com temor sempre que o sol se punha e as sombras iam tomando conta de tudo.
Sonhos são estranhos. Geralmente andamos por lugares e situações que não conhecemos, conversamos com pessoas que nunca vimos. Nosso cérebro é uma máquina fantástica, multiplicando nossas vidas dessa forma. Nem todos os sonhos merecem uma análise mais profunda do que alguns minutos para lembrá-lo. Pode ter, sim, alguma simbologia. Pode, sim, querer nos passar alguma mensagem. Mas pode não ter e ser só isso: sonho.
Alguns, entretanto, parecem conter um aviso. Quando vejo essas reportagens sobre aviões que caíram e sempre alguém na véspera sonhou com a queda, isso me parece apavorante.
Compro a passagem e já começo a me preocupar com a possibilidade de ter um sonho desses e ficar no impasse de não saber se embarco ou obedeço ao que parece ser um aviso.
Ainda mais pensando no que me ocorreu.
Sonhei que tinham roubado meu carro, que eu chegava na esquina da escola à noite e o carro não estava em lugar algum. Ficava parada com as chaves na mão e começava a correr em volta da quadra procurando sem nada achar. Era levada até um lugar em que tinha um balcão e vários homens que ficavam me olhando e balançando a cabeça em negativa, significando que nada podiam fazer.
Cheguei na escola e contei o sonho. Ao meio dia, contei o sonho para a família.
 noite, fui para a escola sem vontade, me sentindo pesada, achando que deveria ficar em casa.Estacionei na esquina e ainda pensei que não deveria deixar o carro ali.
Saí às 23 horas e só vi a rua vazia.
Minhas colegas, que pegariam carona comigo, diziam que eu deixara o carro na outra rua, que estava enganada. Mas eu tinha certeza de que não havia engano algum. Era só a concretização do que me fora avisado. Outra colega nos levou em seu carro até uma delegacia para fazer a ocorrência. Lá, enfrentei a mesma situação sonhada. Semblantes indiferentes que faziam crer nada poderem fazer. Disseram: - Aparece, mas não se sabe em que estado.
Mas não apareceu. Nunca mais, Nem uma pista.
Um ano depois, entregaram em casa os documentos que estavam no porta-luvas dizendo que haviam sido encontrados no ônibus.
Na manhã seguinte, na escola, me diziam que eu deveria ter tido cuidado. Como é que eu tinha sido avisada e nada fizera? Ora, a gente não pode viver sob o domínio dos sonhos. 99,9999% das vezes, eles nada significam.
Será?



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