quarta-feira, 21 de dezembro de 2016





Ganhei não sei de quem, uma bonequinha de uns oito centímetros, ricamente vestida como uma dama da corte de Luís XIV. Eu a coloquei na cristaleira de minha mãe e ficava olhando embevecida aquela maravilha. O vestido era amplo, longo com anquinhas, babadinhos azuis e rosas, corpete azul e longos cabelos escuros cacheados. Seu rostinho era bem feito, os olhos escuros e a boca vermelha. 


                       Era mais ou menos assim, mas com babadinhos azuis e cabelos escuros.



 Eu, que sempre adorei bonequinhas e ainda adoro, estava encantada com o presente. Por sorte, nunca tentei brincar com ela. Era muito pequena e ia, talvez, me sentir culpada pelo que aconteceu.

Uma manhã, fui, como nas manhãs anteriores, me encantar com sua visão.

Estava uma massa disforme. 

Derretendo com o calor do verão que chegara. 

Era de açúcar.


Quantas vezes nessa vida, ficamos encantadas com algo que nos parece um presente dos céus, firme e sólido em nossa existência e era só açúcar? Um açúcar que adoça e se dilui, se esvai, deixando apenas a lembrança?


Bonequinhas que achei no Google, que, infelizmente, não dá nem para comprar, pois não estão à venda e, mesmo que estivessem, custam o olho direito e o esquerdo e não iria gastar meu suado dinheirinho em uma aquisição para cristaleira.










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