Fui uma criança mimada. Minha avó me dava muitos presentes. Bolsinha de tafetá. bolsinha transparente com correntinha, anéis, chapéus e um presente que nunca esquecerei por uma razão marcante: um par de luvas cor de rosa.
Usei, usei e usei, mas minha mão crescia e eu não queria parar de usá-las.
Naquele dia quase levei umas boas palmadas.
Elas eram guardadas dentro da bolsinha transparente com correntinha que ficava pendurada no guarda-roupa de minha mãe.
Ela abriu a porta do guarda-roupa e ficou uma fera. Quase rugiu como uma onça furiosa.
Para que continuasse a usar, eu fizera a única coisa possível: cortara a ponta de todos os dedos da luvinha rosa.
Pensamento de criança tem a sua lógica.


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