sexta-feira, 2 de dezembro de 2016




Minha avó fazia coisas que hoje seriam impensáveis, tais como passar a mão em mim ou minha irmã e levar para Porto Alegre sem avisar.
A primeira vez que viajei com ela já era adolescente e todos estavam sabendo. 
Mas um dia, chego da escola e vejo minha mãe chorando com um bilhete nas mãos. Era uma notinha de minha avó rabiscada em um pedaço de folha de caderno, avisando que estava levando minha irmã, um bebê, para a capital visitar a tia. 
Saí correndo como louca pela cidade até a oficina de móveis que meu pai tinha no centro. 
Quando disse a ele o que havia acontecido, ele concluiu que elas só podiam estar no porto.
Rumamos para lá e eis que, ao chegar no navio atracado, elas estavam bem faceiras sentadas no convés.
Minha irmã mal começara a falar, mas empurrou meu pai com as duas mãozinhas e ficou repetindo:
- Não deixa o teu pai levar ela! Não deixa o teu pai levar ela!
Era assim que ela ouvia se referirem a ela e ao pai. 
Resultado: ficaram dois meses em Porto Alegre. 

                                                    E a anjinha adorava a aventura.                         


Minha mãe nunca ousou fazer isso com meus filhos.
De outra vez, iam minha avó e a irmã também de navio e minha irmã, então com dois anos, constava na passagem, mas minha mãe se atrasou para entregá-la.
Chegando no porto, o navio se afastava. Colocaram-na, então, no rebocador, que leva os navios até fora da barra. 
Quando chegou no ponto em que o rebocador se afastaria do navio para retornar ao porto, minha irmã foi arrancada dos braços de minha mãe e antes que ela pudesse dizer um ai, o homem jogou-a para cima e um marinheiro lá no alto, aparou-a no ar. 
Não existia filmadora, celular, câmera, essas coisas que não deixam escapar essas cenas para mostrar ao mundo.
Acho que eu cairia dura se visse isso.

                                                   Dá para perceber a altura do drama?


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