quinta-feira, 15 de dezembro de 2016





Minha mãe era uma leitora voraz. Pegava livros na biblioteca pública e comprava revistas e gibis para mim. 
Aos sete anos, em uma de suas revistas, vi um desenho da Torre Eiffel e decidi que iria para lá quando tivesse vinte e um anos. Era só um desenho. Nada mais que um desenho em preto e branco num canto de página. Mas foi como se despertasse em mim um reconhecimento e a firme decisão.



Não fui. Mas Paris viveu em mim desde então.

Fiz curso de francês, tracei mapas de Paris e apresentei roteiro de um passeio pela cidade. Tudo em francês e sem internet para ajudar. 
Lecionei francês por algum tempo para alunos do fundamental.
Tentei conseguir uma bolsa de dois anos por três vezes. 
Vi todos os filmes que pude, li todos os romances de autores franceses que me chegaram às mãos. 
Só fui conhecer Paris várias décadas depois da decisão. 
Se existisse internet antes, a história seria diferente. 
Pela internet, viajei no google, fiz reservas, aluguei apartamento, comprei ingressos para shows e fui com absoluta segurança, como se trilhasse caminhos já conhecidos.
E às vezes me sinto como se tivesse nascido em época e lugar errado.

Tudo por culpa de Paris.




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