Adoção
Adotar pode ser algo tão longo e difícil para os que adotam como para os que esperam por adoção, que, ao se concretizar, gera reações como a do menino nesta foto.

Não basta haver todas as condições de ambos os lados, há que travar uma luta árdua e penosa contra a burocracia e contra adversários inesperados e invencíveis, que, muitas vezes, se manifestam por questiúnculas pessoais que nada tem a ver com o bem estar da criança. Posicionamentos tristes que terminam por barrar o futuro de um ser que poderia ser criado num lar desde a mais tenra idade, recebendo todo o amor e condições de desenvolvimento.
Cena 1 - Noite de chuva. Uma batida na porta de um abrigo. Uma mulher com um embrulho nos braços fica parada sob o aguaceiro. Indagada sobre o que queria, disse que viera trazer o bebê para os irmãos conhecerem.
Cena 2 - A atendente a manda entrar. Telefona para o chefe e ele ordena que a retenham, que ele já está indo.
A mulher tem problemas mentais e quatro filhos já lhe foram tirados e vivem no abrigo.
Por decisão do Conselho Tutelar, o bebê fica. A mulher vai embora.
Volta e meia aparecia e nem olhava o pequeno. Apática, alheia ao que a rodeava. Parecia cumprir um comando robótico, o mesmo que a levara na noite de chuva até ali.
Cena 3 - O bebê era magrinho e feinho.
Sendo cuidado, alimentado, foi se transformando.
No entanto, desde o início, quando era feio, quando todos achavam que herdara os problemas da mãe, visto que não reagia e não conseguia permanecer sentado, desde esse tempo, uma das atendentes disse que queria adotá-lo e não se importava que tivesse problemas.
Cena 4 - Outra atendente comprou algo diferenciado para o bebê. Foi afastada, pois era proibido se apegar. Do outro abrigo, ela orientou o que deveria fazer a interessada na adoção para abrir um processo.
Moça religiosa, sem poder ter filhos, família que apoiava sua decisão, a interessada seguiu as orientações e procurou advogado, que lhe pediu dois atestados de idoneidade, solicitados às colegas.
Cena 5 - Entrado o processo no foro, a maior confusão. Todos os funcionários e chefes reunidos. A juíza acusando de terem passado por cima de sua autoridade. A jovem foi afastada e humilhada. As outras ameaçadas de inquérito. A juíza declarando que agora, sim, de jeito nenhum ela adotaria o bebê.
Cena 6 - O bebê é retirado para outro abrigo para dar uma lição às funcionárias.
Cena 7 . Uma criança que sorria permanentemente, que já começava a dar os primeiros passos, regrediu. Não anda mais. Fica com o olhar parado, no vazio, sem sorrir.
A mãe requisitou a guarda. Alguém que já perdeu quatro filhos por incapacidade de criá-los, pode ganhar a guarda do quinto?
O fato novo só vai arrastar qualquer processo de adoção e todos sabem disso.
Será mais um criado em abrigo, cujo destino foi barrado por uma birra.
Coloquei essa imagem, que é de um bebê reborn, porque parece uma foto dele, aquele cujo nome não posso dizer, pois parece que é crime amar essa criança.

Muito triste dificultarem a adoção. As crianças ficam marcadas.
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