Ganhei não sei de quem, uma bonequinha de uns oito centímetros, ricamente vestida como uma dama da corte de Luís XIV. Eu a coloquei na cristaleira de minha mãe e ficava olhando embevecida aquela maravilha. O vestido era amplo, longo com anquinhas, babadinhos azuis e rosas, corpete azul e longos cabelos escuros cacheados. Seu rostinho era bem feito, os olhos escuros e a boca vermelha.
Eu, que sempre adorei bonequinhas e ainda adoro, estava encantada com o presente. Por sorte, nunca tentei brincar com ela. Era muito pequena e ia, talvez, me sentir culpada pelo que aconteceu.
Uma manhã, fui, como nas manhãs anteriores, me encantar com sua visão.
Estava uma massa disforme.
Derretendo com o calor do verão que chegara.
Era de açúcar.
Quantas vezes nessa vida, ficamos encantadas com algo que nos parece um presente dos céus, firme e sólido em nossa existência e era só açúcar? Um açúcar que adoça e se dilui, se esvai, deixando apenas a lembrança?
Bonequinhas que achei no Google, que, infelizmente, não dá nem para comprar, pois não estão à venda e, mesmo que estivessem, custam o olho direito e o esquerdo e não iria gastar meu suado dinheirinho em uma aquisição para cristaleira.






Amo bonequinhas.
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