Paris, enfim ou Parri, enfã
Toca a usar o francês estocado por tantos anos.
A gente vai aprendendo a sair de viagem com pouca bagagem. Naquela leveza de empurrar uma mala de quatro rodinhas com menos de vinte quilos e a malinha de mão que anda sozinha. Mas há que aprender a voltar da mesma forma.
Primeira viagem à Europa. Levei uma mala grande, forte, de couro, vermelha. Ela sozinha já era um trambolho pesado. Viajar em setembro com retorno em outubro, obriga a levar roupas de leves a pesadas. Quase carreguei só roupas de inverno, mas na véspera fui olhar a previsão do tempo em Lisboa e era de 33 graus. Joguei dentro da mala um vestido que comprara há dois dias e umas sandálias e foi o que me salvou enquanto estive em Portugal e nos primeiros dias em Paris.
Como não tinha levado roupas leves, mergulhei nos brechós de Paris e o resultado foi a compra de mais duas malas. Nunca tinha visto roupas tão boas e preços tão baixos. Meu anjinho sensato adormeceu e eu comprando e comprando, não só para mim, mas para a família, para o próximo inverno, verão, outono e primavera.
Mas o campeão de preços baixos é este aqui. As roupas chegam em caminhões próprios e em fardos enormes. No início da semana são renovados os artigos expostos e depois o preço vai baixando. É bom ir lá por vários dias, pois no início é mais caro, mas no fim da semana fica mais refugado. Agora o Guerrisol está entrando na tendência dos parisienses também. Antes era discriminado. Aliás, são vários, mas acho que todos ficam em Montmartre, principalmente no Boulevard de Rochechouart. Viam-se poucas madames por lá. Aos poucos, elas vão chegando e entrando no jogo de procurar tesouros perdidos.
Nessa primeira viagem, ainda a mala que levei e as que adquiri, eram todas de duas rodinhas.
Como fazer para transportar tudo na volta? Nem queria saber.
Íamos sair de trem para Londres e de lá empreender a viagem de retorno ao Brasil.
Uma semana antes fui na Gare du Nord e indaguei que bagagem e peso eram permitidos.
Uma gentil funcionária me informou que podia levar dois volumes e fez um gesto com o braço no alto, demonstrando que não importava o peso ou tamanho.
Nós estávamos hospedadas a duas quadras da estação. Uma estudante de psicologia que estava no mesmo prédio se ofereceu para nos acompanhar e sugeriu que fôssemos a pé. Recusei. Impossível arrastar toda aquela tralha por duas quadras.
Disse para elas ficarem na porta do prédio, que eu iria buscar um táxi.
Para os lados do Moulin Rouge, um táxi estava parado na porta de um restaurante. Falei com o motorista e expliquei que estávamos com muitas malas grandes e ele disse que não podia sair dali, pois esperava clientes. Mas ao ver minha aflição, saiu do carro e começou a parar táxis grandes e pedir que me atendesse. Foi muito bom, pois táxis em Paris são conduzidos por taxistas que tem regras que nós mortais nem sempre conseguimos decifrar.
Pagamos 9 euros por duas quadras, mas valeu.
O drama começou justo quando entramos na estação.
Pedi para minha amiga passar a mala mais leve e que se movimentava melhor. Na minha cabeça era só passar em seu nome e pronto. Esqueci que elas precisam ser empurradas, muitas vezes levantadas e se tornam um trambolho estragando a viagem de quem a leva.
Nunca mais convidei minha companheira de viagem para viajar comigo. Acredito sinceramente que ela diria não, com alguma delicada desculpa.
Embarcando e desembarcando com elegância.
No próximo post colocarei como é subir e descer do trem com deselegância.















Os brechós de Paris me fascinam.
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